Chovia e estava fresco apesar da epoca o calor intenso fora amainado por uma brisa suave, cheirava a terra, a africa. O transito crescia ferozmente, e ninguem desistia dos presentes, do bacalhau, dos amigos, da familia era um corre-corre que nunca mais acabava, afinal neste dia era tudo ou nada; os bancos cheissimos e o dinheiro aguardava ansiosamente a passagem breve pelas carteiras infelizes que satisfaziam a cobica dos comerciantes, telecomunicacoes impossiveis amantes nervosas com o telefonema que nao chegava, os policias de transito suados e desorientados pela ordem e pela gasosa. E era nessa aflicao que se vivia o Natal. Tio Joao de palito na boca, toalha na mao para limpar o "calor" e a buzina que nao calava, apressadissimo para comprar a televisao que a mana Joana (a esposa) exigira, ja com lugar garantido "na cristalera" na sala e rezando para vir a luz para estriar aka a familia merece tudo.
Uma carteira muito triste e bastante vazia, o starlet arrastando-se com o porta bagem cheio; batata, bacalhau, cuca, gasosa, lacinho, brinquedos e outros acepipes da quadra, chegou a casa um Joao mais cansado, e chateado, estranhou a porta fechada, as luzes apagadas e o quintal vazio e cheio de lama. Buzinou com a barriga a gemer de fome, a ver quem o ajudaria a descarregar os mambos porque o natal nao espera, ouviu o destrancar da porta e uma Joana enorme, sonolenta e trombuda apareceu. Viu as compras todas e nao ficou contente, ate a televisao ainda na caixa lhe disse cheguei para ti, mesmo assim nada a senhora nao sorriu, o homem sem perceber, tentou desageitadamente um beijo, e como resposta um muxoxo ouviu, carregou tudo sozinho e meio que sem jeito perguntou o motivo da zanga, estranhou as criancas que nao apareciam ainda meio confuso olhou para o relogio e percebeu tudo - 00:54.
Seres da sombra
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Depois do acontecido na sexta-feira passada, decidi trazer à luz uma sér...

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