Janeiro 09, 2009

O Homem de Bronze



* Pela quantidade de pessoas que vi hoje a volta do 1 de Maio imagino o que andariam estes jovens, homens e mulheres a fazer nos tempos ainda proximos em que as luzes nao acendiam tanto e a calçada descalça andava.

Agostinho Neto imponente reclamava de solidão do descaso do povo que outrora o aclamava

Semblante carregado como o escuro do bronze, intenso como o calor das onze

Abanando poesia para refrescar o orgulho suado da cultura esquecida no saco do zungueiro

O olhar ainda triste vagava nas entrelinhas dos bancos lotados do candongueiro azulado

Discurso vago na madrugada e uma plateia mais canina que humana roendo os restos do descaso colectivo

“Eu ja não espero, sou aquele por quem se espera!”

Na correria desenfreada no emarfanhado das páginas amareladas d’um tempo vencido

A velha quitandeira também não esperou correu na trilha do kwanza desbotado

Para sossegar as bocas famintas que por ela esperam


*Enquanto comentavamos a importância de espaços colectivos e recreativos, a preservação da cultura e identidade, a promoção artística para o desenvolvimento de um povo, avaliamos o número de crimes e acidentes evitados, gravidezes indesejadas, propagações de doenças venérias que não se realizaram, cigarros não acendidos, combustível não consumindo que poderiam ter poluído ainda mais a nossa atmosfera, drogas que não cumpriram o seu papel destrutivo, entre outros problemas que deixaram de ser problemas porque “corpo são e mente sã, segredo de vida longa”. No meio desse diálogo acompanhado de algum contentamento, abriu-se o semáfaro e ninguém, mesmo ninguém buzinou e foi nesse imaculado silêncio que pude em breves momentos escutar o sussuro vindo do homem de bronze.

- Eu sou a sagrada esperança que nunca abandonou o coração angolano.

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