Tenho saudades do tempo em que por não haver manteiga punha-se o pão no leite e chamava-mos papinha.
Eu adorava, e mesmo hoje que a manteiga não é algo raro, as vezes ainda faço “papinha” com pão ou bolacha quem sabe se por saudade ou porque transporta-me para um tempo em que com pouco eramos felizes e davamo-nos todos como uma grande família, um tempo que não volta mais. Ingenuidade?
Foram os meus melhores tempos. Ainda esta manhã um colega meu passou por mim com um pacote de bolachas e chá e apesar de não imaginar o que lhe ia na cabeca percebi que naquele momento ele queria sentir-se outra vez um rapazito, que o tempo não apressava, e a vida não castigava. Minutos depois vejo-o sentado na secretaria espereito para dentro da caneca só para ter a certeza e lá estava ela, consolando o vazio do estômago, ao mesmo tempo que sossegando a alma do homem outrora criança. Ele também tem saudades pensei.
As geleiras de hoje abundam de queijo e fiambre e a manteiga que antes era raridade é obrigatoria numa sandes, e as geracoes seguintes jamais saberão que o leite e o pão eram um só, no tempo em que o consumistmo desenfreado era inexistente e que as familias partilhavam entre si mais do que comida, roupas e sapatos, partilhavam o que hoje cada vez mais nos esquecemos; a verdadeira união!
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