Morreu silenciosa como um voo triste e cansado tentando desesperadamente um socorro sem força, sem voz nenhuma.
Apareceram logo muitas ajudas algumas preocupadas, outras apenas curiosas, mas nenhuma fez acordar Betânia daquele sono amarelado e sem ritimo.
Chorei de triste, as mãos pequenitas abertas procurando consolo num olhar mais atento e um amor que nunca chegou gritava a menina:
–mãe, mãe
E era tudo o que sabia dizer quando não dizia:
-água, água
Na noite anterior as tranças pequenitas e enfeitadas com missangas azuis e brancas dançavam na cabecita encostada a um travesseiro improvisado e o pescoço sustentava a agulha por onde entrava o soro, ela parecia mesmo pronta, mas não foi nessa noite que se despediu.
Hoje resplandecia. Parece que a morte nos prepara uma beleza última lisa e reluzente antes de nos abraçar de uma só vez, e enquanto nos preocupavamos com as nossas ocupações de mães atentas ao respirar e a febre dos nossos pequenos, a pequenina vestiu um vestido muito branco e comprido, ensaiou um último sorriso, endireitou os brincos dourados presos nas trancinhas, saltou da cama despintada e espereitou em cada um dos nossos corações...
Não sei o que foi que ela lá encontrou. Fugiu desesperada numa pressa sorrateira; e não se lembrou nem da mãe nem da água.
As estatisticas são más, eramos 10 e agora somos 9.

2 comentários:
Eu já estou com o meu espírito pesado e tu só o fazes tornar ainda mais...
Neste momentio um café ajuda a esquecer...
um beijo
Á MESA DO CAFÉ
Estou sentada…
E aqui…
Com muitos amigos…
Tomo o meu café…
Café quentinho sem açúcar…
E muito curtinho…
Bebo-o com calma…
E sinto…
Que me aquece…
Que me acalenta…
Tomo-o e sinto-me outra…
Mais forte…
E conversando…
Vamos estando…
E vamos tomando…
E a vida…
É feita de pequenos nadas…
E aqui…
Nestes pequenos nada…
O nosso grande Momento!...
Lili Laranjo
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