Tenho saudades do tempo em que por não haver manteiga punha-se o pão no leite e chamava-mos papinha.
Eu adorava, e mesmo hoje que a manteiga não é algo raro, as vezes ainda faço “papinha” com pão ou bolacha quem sabe se por saudade ou porque transporta-me para um tempo em que com pouco eramos felizes e davamo-nos todos como uma grande família, um tempo que não volta mais. Ingenuidade?
Foram os meus melhores tempos. Ainda esta manhã um colega meu passou por mim com um pacote de bolachas e chá e apesar de não imaginar o que lhe ia na cabeca percebi que naquele momento ele queria sentir-se outra vez um rapazito, que o tempo não apressava, e a vida não castigava. Minutos depois vejo-o sentado na secretaria espereito para dentro da caneca só para ter a certeza e lá estava ela, consolando o vazio do estômago, ao mesmo tempo que sossegando a alma do homem outrora criança. Ele também tem saudades pensei.
As geleiras de hoje abundam de queijo e fiambre e a manteiga que antes era raridade é obrigatoria numa sandes, e as geracoes seguintes jamais saberão que o leite e o pão eram um só, no tempo em que o consumistmo desenfreado era inexistente e que as familias partilhavam entre si mais do que comida, roupas e sapatos, partilhavam o que hoje cada vez mais nos esquecemos; a verdadeira união!
Janeiro 16, 2009
Janeiro 11, 2009
O caso do cabrito vivo
Como todos os angolanos festeiros não houve quem não cometesse alguns absurdos na quadra festiva que por fim termina.
Perdoem-me comentar, mas há coisas que simplesmente não podem deixar de ser partilhadas.
Dia 24 de Dezembro chego a casa ao fim do dia depois de um dia longo pelos motivos que todos conhecemos na capital e desejosa por encontrar-me a sós com o meu sofa fui informada pelo vizinho do 5 não havia eu ainda subido as escadas que tinhamos um novo inquilino no andar. Pelo semblante do homem o novo vizinho devia ser uma espécie de celebridade daquelas fabricadas pelo Big Brother África ou alguém muito menos solicitado mas igualmente conhecido.
Estranho dia para mudancas pensei comigo, coitado do homem ter de mudar-se num dia como este.
Perdi-me noutras preocupações enquanto subia, abri o portão e dei de caras com ele alí no corredor.
Parecia confuso, perdido e um pouco sobressaltado com a agitação da vizinhança, todos queriam vê-lo e alguns receosos de chegar mais perto ainda assim a curiosidade era muita.
Via-se que era normal igual aos outros talvez um pouco mais velho, mas não compreendia o porquê de tantos olhares. Talvez fossse da barba que lhe dava um ar envelhecido, ou do odor ganho durante a longa e aborrecida viagem. Inclinou-se sobre si mesmo num gesto desesperante, talvez triste, ou apenas cansado com a sua sorte. Percebi que não se iria apresentar , tinha a cara noutra direcção devia de estar aborrecido com multidão de gente que o observava. De repente olhou para mim e ficou assim por uns instantes e quando parecia que por fim iria dizer alguma coisa calou-se.
Meti-me apartamento a dentro e meditei sobre o absurdo da situação quando recebi o telefonema da síndica informando que precisava reunir-se com a os moradores do prédio “para resolvermos o caso”.
Aparecerem quase todos, entre os ausentes estavam os vizinhos do 16, 9, 3 e o novo inquilíno claro. Falava-se muito, alguns opinavam a sorte do dito, outros comentavam que poderia vir ja embalado, que não deveria ter ocupado aquele lugar no corredor, que assim também já era demais e eu ali feita parva sem compreender muito bem onde se pretendia chegar. Uma coisa era certa nunca em ocasião alguma os moradores estiveram tão unidos a excepção de uma vez que a síndica exigiu o dobro da mensalidade por conta do consumo excessivo de água, água essa que por motivos óbvios não chevaga a nenhum dos apartamentos. Fora isso nunca houve tal tipo de solidariedade.
O do 9 mal chegou e já trazia soluções de como resolver a situação. o do 16 não quis nem saber, subiu apressado porque assuntos assim lhe eram indiferentes, no ano passado já tinha também recebido uns parentes vindos do sul e com eles se faziam acompanhar uns suinos para desgosto dos vizinhos sabia que era só inveja. O do 3 ameaçou logo contactar as entidades oficiais e só depois lembrou-se que era tolerância de ponto.
Dissessem o que dissessem o tal permaneceu no corredor, dali não se mexia, tinha direitos. Acabou-se a reunião sem termos nada decidido, a mim incomodava-me porque era exatamente no meu andar. Desejei fazer qualquer coisa mas não sabia o quê, ja era tarde e a hora da ceia aproximava-se.
Na manha seguinte, sem mais nem menos estava morto. Morto de morto, assim só sem sangue nem. Ainda tentaram faze-lo acordar com alguns gritos e abanães nada, não havia dúvida estava morto.
O dono desconfiado e inconformado chamou um mais velho sábio nesses assuntos que diagnosticou: não se come cabrito neste natal.
Perdoem-me comentar, mas há coisas que simplesmente não podem deixar de ser partilhadas.
Dia 24 de Dezembro chego a casa ao fim do dia depois de um dia longo pelos motivos que todos conhecemos na capital e desejosa por encontrar-me a sós com o meu sofa fui informada pelo vizinho do 5 não havia eu ainda subido as escadas que tinhamos um novo inquilino no andar. Pelo semblante do homem o novo vizinho devia ser uma espécie de celebridade daquelas fabricadas pelo Big Brother África ou alguém muito menos solicitado mas igualmente conhecido.
Estranho dia para mudancas pensei comigo, coitado do homem ter de mudar-se num dia como este.
Perdi-me noutras preocupações enquanto subia, abri o portão e dei de caras com ele alí no corredor.
Parecia confuso, perdido e um pouco sobressaltado com a agitação da vizinhança, todos queriam vê-lo e alguns receosos de chegar mais perto ainda assim a curiosidade era muita.
Via-se que era normal igual aos outros talvez um pouco mais velho, mas não compreendia o porquê de tantos olhares. Talvez fossse da barba que lhe dava um ar envelhecido, ou do odor ganho durante a longa e aborrecida viagem. Inclinou-se sobre si mesmo num gesto desesperante, talvez triste, ou apenas cansado com a sua sorte. Percebi que não se iria apresentar , tinha a cara noutra direcção devia de estar aborrecido com multidão de gente que o observava. De repente olhou para mim e ficou assim por uns instantes e quando parecia que por fim iria dizer alguma coisa calou-se.
Meti-me apartamento a dentro e meditei sobre o absurdo da situação quando recebi o telefonema da síndica informando que precisava reunir-se com a os moradores do prédio “para resolvermos o caso”.
Aparecerem quase todos, entre os ausentes estavam os vizinhos do 16, 9, 3 e o novo inquilíno claro. Falava-se muito, alguns opinavam a sorte do dito, outros comentavam que poderia vir ja embalado, que não deveria ter ocupado aquele lugar no corredor, que assim também já era demais e eu ali feita parva sem compreender muito bem onde se pretendia chegar. Uma coisa era certa nunca em ocasião alguma os moradores estiveram tão unidos a excepção de uma vez que a síndica exigiu o dobro da mensalidade por conta do consumo excessivo de água, água essa que por motivos óbvios não chevaga a nenhum dos apartamentos. Fora isso nunca houve tal tipo de solidariedade.
O do 9 mal chegou e já trazia soluções de como resolver a situação. o do 16 não quis nem saber, subiu apressado porque assuntos assim lhe eram indiferentes, no ano passado já tinha também recebido uns parentes vindos do sul e com eles se faziam acompanhar uns suinos para desgosto dos vizinhos sabia que era só inveja. O do 3 ameaçou logo contactar as entidades oficiais e só depois lembrou-se que era tolerância de ponto.
Dissessem o que dissessem o tal permaneceu no corredor, dali não se mexia, tinha direitos. Acabou-se a reunião sem termos nada decidido, a mim incomodava-me porque era exatamente no meu andar. Desejei fazer qualquer coisa mas não sabia o quê, ja era tarde e a hora da ceia aproximava-se.
Na manha seguinte, sem mais nem menos estava morto. Morto de morto, assim só sem sangue nem. Ainda tentaram faze-lo acordar com alguns gritos e abanães nada, não havia dúvida estava morto.
O dono desconfiado e inconformado chamou um mais velho sábio nesses assuntos que diagnosticou: não se come cabrito neste natal.
Entre os astros
Vi como os teus olhos se iluminaram
Em como o teu sorriso dançava nos teus labios
Senti o toque tímido das tuas mãos agradecerem o meu corpo
Ouvi o teu coracão chamar-me pelo nome
E custou-me a acreditar que eras tu
Mesmo quando disseste tudo o que disseste com o teu olhar
Roubaste-me um beijo molhado e deixei-me conduzir
Foi a primeira vez que me senti assim
Completa
Desconsertaste-me quando disseste sou teu, pertenço-te
Confesso que desejei sermos eternos
Que vivessemos entres os astros
Então pediste-me que abrisse os olhos
E vi o que so eu poderia ver
. . .
Em como o teu sorriso dançava nos teus labios
Senti o toque tímido das tuas mãos agradecerem o meu corpo
Ouvi o teu coracão chamar-me pelo nome
E custou-me a acreditar que eras tu
Mesmo quando disseste tudo o que disseste com o teu olhar
Roubaste-me um beijo molhado e deixei-me conduzir
Foi a primeira vez que me senti assim
Completa
Desconsertaste-me quando disseste sou teu, pertenço-te
Confesso que desejei sermos eternos
Que vivessemos entres os astros
Então pediste-me que abrisse os olhos
E vi o que so eu poderia ver
. . .
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