Março 21, 2009

"... bento 16 chega ao solo angolano
e não o beija como o fizera jp 2..."
Não há duvida de que uma caminhada inicie com um simples passo. Isso já foi dito milhentas vezes por todos aqueles que demoraram mas que acabaram por chegar ao seu destino.
Aconteceu hoje sexta feira tolerância de ponto nacional pela chegada do papa bento 16. As ruas estavam tão limpas que por instantes quase que me perdi na ordem.
Angola mostrou ao mundo um acontecimento de puro luxo e pela primeira vez podemos emitir de Luanda para o mundo todo o aparato da chegada do santo padre.

Eu estava encerrada nas urgências de uma clínica com o meu filho de somente 5 meses, criando falsas expectativas sobre o seu estado de saúde, afinal quem quer que o seu filho adoença?

Hoje, Universalitas do reino de deus, manaenses, jeovalitas, protestantes e outros tantos itas e enses tornaram-se católicos. Até os ateus não foram excepção, buscavam todos um perdão milagroso entre tantas faltas, omissões crueis pacificas e coniventes. Até o JES discursou num local pouco habitual fruto da bendita salvação celestial.

O médico diagnosticou uma broncopneumonia, parece que a epidemia deu conta do futuro da nação, camas lotadas, muitas cauções, poucos médicos impedidos de se apresentarem ao serviço justificando-se com as ruas intrasitáveis da cidade e um só diagnistico para todos os infants viva la unidade, todas ou quase todas crianças apresentavam um quadro clínico muito similar.

Nos corredores e muito emocionados todos olhavam atentamente o momento em que a bata branca surgiu. Não! Não era nenhum médico apesar de se esperarem curas urgentes e muito milograsas, surgiu e acenou ao povo e às autoridades locais, sim bento 16 chega ao solo angolano e não o beija como o fizera jp que segundo os meus colegas de sala na clínica era muito mais humano que este, era o papa do povo, um verdadeiro santo.

Foi uma noite muito mal dormida no chão frio da sala pequeníssima debaixo de dois berços de ferro, onde dormiam sossegadas o meu pequenino e um outro. Não foi das piores noites da minha vida, foi até uma aventura bem interessante, conheci um jovem da limpeza que perante o meu cansaço, disponibilizou duas cobertas que pude partilhar com a mulher ao lado, para que nos deitassemos. A união ainda reina no nosso ceio.

Discurso longo e cheio de expectativas, sentiram-se todos muito tocados pela divindade, e como boa cristã que sou compreendi que apesar da força divina, aqui em Angola contamos apenas com a boa vontadde dos infermeiros, do pessoal da limpeza, e da cozinha.

E quem criou o mundo foi Deus!

Março 20, 2009

"A transparência é um processo,
e não se combate por decreto..."

As vezes enquanto mudo os canais da tv cabo, lá me sai um debate. Foi o que aconteceu ontem na RPI internacional.

O que é que Angola tem? Juntamente com a pergunta encheu-se uma sala de pessoas muito preocupadas e ansiosas por serem convencidas de que angola é o santo graal das economias reformadas, para as respostas um convidado; Aguinaldo Jaime representante do Governo de Angola que por sinal nesta noite foi tudo; foi Matos, foi Morais, foi So tor, foi Sr. Ministro e finalmente Jaime. E dos labios muito vividos apenas sorrisos espereitavam.
Mas o que me faz escrever estas breves linhas foi sem duvida o tema: O que é que Angola tem? Falaram muito mas a resposta ca para mim ficou perdida na gulosidade dos presentes em fazer de Angola a menina nos olhos de Portugal.

Ontem pela primeira vez ouvi e vi os portugueses falerem com exclusividade do seu excessivo amor por Angola, até me lembrei das historias de Salazar que o meu pai contava de como era grande o seu amor pela “província”.
A partida só me resta concluir que os Portugueses não precisam que os incentivemos para cá vir, afinal somos irmaos, ha um amor profundo nos nossos coracoes e antes que seja tarde, o que eles precisam mesmo é de não terem vistos e burocracias.

Na minha opinião não é o que Angola tem mas sim, o que Angola não tem onde se encontra encerrado o maior de todos os desafios e consequentemente o tesouro dos tesouros. Está claro que a linguagem económica, político-social aplica-se numa dimenção tremenda quando reconsiderarmos o que falta fazer em Angola, e quais os reais potencias do meu país que prefiro nao comentar.

Agora voltando ao debate de ontem, testemunhei muitas emoções e um oportunismo sem tamanho de alguns convidados defendendo cada um a parte que lhes cabia.
Uma senhora que sabia muito sobre a nossa economia e que gesticulava muito falou e muito bem sobre números, e estatiscas bastante atuais realcando o seu com-patriotismo ao Aguinaldo que parecia muito incomodado com a falta de respeito da entrevistadora que teimosamente cortava o seu discurso.

Ouvi tambem as palavras de um dirigente da Unita sobre a necessidade de reformar ou formar a saúde e a educação, a meu ver um culto socialista que promove o desenvolvimento através das pessoas.

Outro Angolano a muito por aquelas paragens e especialista em energia falou e muito bem sobre reduzir a pobreza, sobre dar incentivo aos pobres para que se tornem tambem ricos.

Um médico recem formado, alertou Portugal sobre um problema germinante, os médicos portugueses lançam-se tambem na aventura dos descobrimentos assim como o fizeram as grandes empresas de construção civil e alguns grupos financeiros muito bem representados com os melhores cumprimentos ao Sr. Presidente Jose Eduardo dos Santos que disse e redisse para terem pressa antes que fosse tarde.

Falou tambem um tipo do ramo farmaucêtico e chegou com um conceito que agradou e muito os da bancada : as parcerias tripartidas. Porque no fundo se chateia o facto de a China ter cá chegado, chateia muito mais ter chegado sozinha, não terem os chineses recorrido aos empresarios portugueses faladores do idioma mãe e manejadores da bussola para alcancarem juntamente a tão almejada felicidade financeira foi mesmo uma grande estratégia (não vos queremos re-colonizar).

Um outro, defendeu o grande espirito de entre-ajuda que se vive em Angola, disse que se trabalha em dobro porque é mais dificil... o trânsito, gerador enfim... o que me saltou a vista foi o ar contente deste ao decrever os fins de semana. Ena pa, isso é que é viver, bora todos as ilhas de Luanda e do Mussulo.
Falou-se da burocratica das instituicoes, das necessidades, da corrupcao, das gasosas, dos dividendos, da delinquencia, dos orcamentos, etc.

Coube ao Sr. Aguinaldo Jaime dar respostas e desculpas bastante superfeciais sobre o que é bem e mal visto no nosso país, por tudo o que discursou acho que merecia uma promoção, resta saber a quê. Mas o que mais me impressionou foram as seguintes e notaveis palavras por ele proferidas: A transparência é um processo, e não se combate por decreto!

Nestas coisas de política pouco ou nada percebo, por isso sempre que posso oiço atentamente o que dizem os epecialitas para aprender. Por isso se me perguntassem a mim o que é que angola tem? A minha resposta seria tão obvia quanto esta: Angola tem angolanos!