Março 22, 2009

A Betânia morreu...

Morreu silenciosa como um voo triste e cansado tentando desesperadamente um socorro sem força, sem voz nenhuma.

Apareceram logo muitas ajudas algumas preocupadas, outras apenas curiosas, mas nenhuma fez acordar Betânia daquele sono amarelado e sem ritimo.

Chorei de triste, as mãos pequenitas abertas procurando consolo num olhar mais atento e um amor que nunca chegou gritava a menina:
–mãe, mãe
E era tudo o que sabia dizer quando não dizia:
-água, água

Na noite anterior as tranças pequenitas e enfeitadas com missangas azuis e brancas dançavam na cabecita encostada a um travesseiro improvisado e o pescoço sustentava a agulha por onde entrava o soro, ela parecia mesmo pronta, mas não foi nessa noite que se despediu.

Hoje resplandecia. Parece que a morte nos prepara uma beleza última lisa e reluzente antes de nos abraçar de uma só vez, e enquanto nos preocupavamos com as nossas ocupações de mães atentas ao respirar e a febre dos nossos pequenos, a pequenina vestiu um vestido muito branco e comprido, ensaiou um último sorriso, endireitou os brincos dourados presos nas trancinhas, saltou da cama despintada e espereitou em cada um dos nossos corações...
Não sei o que foi que ela lá encontrou. Fugiu desesperada numa pressa sorrateira; e não se lembrou nem da mãe nem da água.
As estatisticas são más, eramos 10 e agora somos 9.